Resenhas

quinta-feira, 2 de junho de 2016

[RESENHA] "ESPADA DE VIDRO", DE VICTORIA AVEYARD

Nome: Espada de Vidro
Autora: Victoria Aveyard
Série: A Rainha Vermelha #02
Editora: Seguinte
Onde comprar: Buscapé

Livro enviado como cortesia pela Seguinte
“Se sou uma espada, sou uma espada de vidro, e já me sinto prestes a estilhaçar.”

O sangue de Mare Barrow é vermelho, da mesma cor da população comum, mas sua habilidade de controlar a eletricidade a torna tão poderosa quanto os membros da elite de sangue prateado. Depois que essa revelação foi feita em rede nacional, Mare se transformou numa arma perigosa que a corte real quer esconder e controlar.

Quando finalmente consegue escapar do palácio e do príncipe Maven, Mare descobre algo surpreendente: ela não era a única vermelha com poderes. Agora, enquanto foge do vingativo Maven, a garota elétrica tenta encontrar e recrutar outros sanguenovos como ela, para formar um exército contra a nobreza opressora. Essa é uma jornada perigosa, e Mare precisará tomar cuidado para não se tornar exatamente o tipo de monstro que ela está tentando deter.


Resenhas | Série “A Rainha Vermelha”


 


Essa resenha contém spoiler de "A Rainha Vermelha"

“Espada de Vidro” se inicia exatamente do ponto onde “A Rainha Vermelha” terminou, com Mare e Cal fugindo do Ossário e das garras de Maven, o príncipe traidor - e agora rei - que os jogou na arena para serem mortos pelos prateados mais letais do reino enquanto tentava torná-los uma mentira para enganar seus súditos.

O plano de Maven deu muito errado e Mare não só conseguiu revelar a Norta que é uma garota de sangue vermelho com poderes prateados, como também fugiu para se juntar aos sobreviventes da Guarda Escarlate – que na verdade ela sequer tem certeza se pode realmente confiar. Em meio aos rebeldes ela descobre que as influências e os aliados do grupo vão além do que ela já imaginou.
“Os prateados pensam que estão dois passos à nossa frente, mas nem sabem onde estamos. - Shade continua com a voz cheia de fervor. - Parecemos fracos porque queremos”
Mare sabe que ainda há muito a ser descoberto sobre os líderes da Guarda Escarlate, mas por enquanto ela tem outra prioridade: reunir todos os sangues novos, pessoas que assim como ela possuem sangue vermelho e poderes de prateados, antes que Maven encontre e mate-os.

Apesar de contar com o apoio de Cal, Shade, Kilorn e Farley, ela tem consciência de que sua missão está longe de ser fácil. Com cartazes estampando seu rosto e o de Cal espalhados por todo o reino, além de ofertas de recompensas para quem capturá-los, a frase “todo mundo pode trair todo mundo” nunca esteve tão presente em seus pensamentos.
“Quero acreditar na Guarda Escarlate e, claro, em Shade e Kilorn, mas não consigo, não depois da confusão que a minha confiança, a minha cegueira em relação a Maven nos meteu. E Cal está completamente fora de questão. É um prisioneiro, um prateado, o inimigo que nos trairia se pudesse — se tivesse outro lugar para onde fugir.”
A jornada de Mare a leva por todos os cantos de Norta, até sangue novos de várias idades e com poderes jamais vistos antes. A caçada é também um jogo que gato e rato com Maven, que faz uma turnê para comemorar sua coroação por todo o país, um disfarce para chegar até os sangue novos e ao mesmo tempo tentar aprisionar Mare e Cal.

Eu me lembro de quando “A Rainha Vermelha” chegou ao Brasil e de como minhas altas expectativas acabaram frustradas, porque embora eu tenha gostado muito da história, ainda terminei com o sentimento de eu esperava mais. Então com essa sequência eu fui cautelosa e felizmente acabei me surpreendendo. 

“Espada de Vidro” começa com um bom ritmo, com cenas tensas já nas primeiras páginas - e o resto da história não é diferente. Mare e seus amigos vivem no limite, constantemente perseguidos e, consequentemente, sempre atentos. Cada vez que eles aterrissam em um lugar em busca de mais um sangue novo, é como se estivessem correndo direto para a boca do leão, afinal Maven também viu a lista dos vermelhos superpoderosos e, junto com seus soldados e o armamento pesado de Norta, está fazendo seus movimentos e ataques.

Com toda essa correria, sobra pouco espaço para o romance. Desde o primeiro livro nota-se que existe algo entre Mare e Cal, mas ambos relutam em deixar esses sentimentos vir à tona depois de tantas mentiras e armações. A confiança foi quebrada e as feridas ainda são recentes demais.
“Ele não é apenas uma distração, é também uma desilusão amorosa que vai acontecer a qualquer momento. A lealdade dele é, no mínimo, instável. Um dia ele vai partir ou morrer ou me trair como tantos outros já fizeram. Um dia, ele vai me magoar.”
E depois, Mare continua pensando em Maven, tendo seus instantes de saudade e raiva, mesmo sabendo que não deveria - e ela não é a única. A protagonista e o príncipe caído tem que lidar com seus próprios fantasmas e as lembranças de um garoto de profundos olhos azuis, carinhoso, um tanto ressentido e bondoso. Mare e Cal também estão ligados por esses sentimentos, que provocam momentos de intensa sinceridade entre eles. O que, do relacionamento com Maven, foi verdade ou mentira? O tempo todo teria sido tudo fingimento?
“— Sinto falta dele — sussurro, incapaz de encarar Cal nos olhos. — Sinto falta de
quem pensei que ele fosse.
[...]
— Também sinto falta dele. [...] Não sei o que tornaria mais fácil esquecê-lo. Pensar que não foi sempre assim, que a mãe o envenenou, ou que ele simplesmente nasceu um monstro.
— Ninguém nasce um monstro. — Mas eu desejaria que fosse assim com algumas
pessoas. Seria mais fácil odiá-las, matá-las, esquecer seus rostos mortos. — Nem Maven.”
Aliás, essas perguntas e as atitudes de Mare também atormentam os leitores. Mesmo com Maven tendo se revelado o vilão da história, ele ainda possui alguns fãs por ai – eu mesma continuo sendo trouxa sou #TeamMaven.
“— E você ainda se apega a Maven, uma pessoa que não existe.
Ele bem que podia ter posto a mão ao redor da minha garganta e apertado bem
forte.
— Você mexeu nas minhas coisas?
— Não sou cego. Vi você pegando os bilhetes naqueles cadáveres. Pensei que
fosse rasgá-los. Mas não rasgou, e então quis ver o que você ia fazer. Queimar, jogar
fora, devolver encharcados em sangue prateado… Mas não guardar. Não ler enquanto eu dormia do seu lado.
— Você disse que também sentia falta dele. Você disse… — murmuro. Preciso me segurar para não bater o pé no chão feito uma criança frustrada.
— Ele é meu irmão. Sinto falta dele de um jeito muito diferente.”
Surpreendi-me bastante com o quanto eu gostei do livro. A narrativa é fluída e envolvente, o que tornou minha leitura bem rápida. Era só pegar meu exemplar para perder a noção do tempo e deixar a imaginação rolar solta. Amei cada momento dessa sequência extraordinária, que deixa o leitor sedento por mais.

Sobre o trabalho da Seguinte, como pode uma editora ser tão maravilhosa? A capa segue o padrão da original e é metalizada, com o título e a coroa banhada em sangue em relevo. A diagramação está ótima e não encontrei erros de revisão. Também não há reclamações quanto ao tamanho e a fonte do texto, que são bons para uma leitura confortável.

“Espada de Vidro” não está apenas à altura de “A Rainha Vermelha”, ele vai além. É perceptível o amadurecimento de Victoria como autora e também de seus personagens, que cresceram depois de tantas lutas e traições. O desfecho me deixou enlouquecida pelo terceiro volume da série, que infelizmente só sai no ano que vem. Se você gostou de “A Rainha Vermelha”, então vai amar “Espada de Vidro” e se não gostou, só acho que deve dar uma chance para essa sequência que supera expectativas.
“Ninguém nasce mau, assim como ninguém nasce sozinho. As pessoas se tornam más e solitárias, por escolha e circunstância. Esta última você não pode controlar, mas a primeira... Mare, temo muito por você.”

2 comentários:

  1. Oi! Eu não te conheço, mas queria dizer que já gosto muito de você. Desde os meus 9 anos descobri um amor imenso pela leitura, e aqui no blog eu encontrei esse amor de novo. Gosto muito de ler as resenhas e descobrir novos livros. A Rainha Vermelha é uma das minhas séries preferidas, concordo com cada palavra!

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    1. Olá Flávia. Fico muito feliz por ajudar você a reencontrar o amor pela leitura, o que é uma coisa maravilhosa. Agradeço muito pelas visitas ao blog. Mensagens como essa que me fazem seguir com isso. ♥

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