Resenhas

sábado, 4 de junho de 2016

[RESENHA] "SEDUÇÃO DA SEDA", DE LORETTA CHASE

Nome: Sedução da Seda
Autora: Loretta Chase
Série: As Modistas (#01)
Editora: Arqueiro
Onde ComprarBuscapé

Livro enviado como cortesia pela Editora Arqueiro
Talentosa e ambiciosa, a modista Marcelline Noirot é a mais velha das três irmãs proprietárias de um refinado ateliê londrino. E só mesmo seu requinte impecável pode salvar a dama mais malvestida da cidade: lady Clara Fairfax, futura noiva do duque de Clevedon.                                                                

Tornar-se a modista de lady Clara significa prestígio instantâneo. Mas, para alcançar esse objetivo, Marcelline primeiro deve convencer o próprio Clevedon, um homem cuja fama de imoralidade é quase tão grande quanto sua fortuna.                                                                                                                                             

O duque se considera um especialista na arte da sedução, mas madame Noirot também tem suas cartas na manga e não hesitará em usá-las. Contudo, o que se inicia como um flerte por interesse pode se tornar uma paixão ardente. E Londres talvez seja pequena demais para conter essas chamas.

Resenhas | Série “As Modistas”


 


Marcelline era uma mulher muito focada. Se decidia por algo ela ia até o fim, não poupando esforços para alcançar seus objetivos. Principalmente quando aquilo que desejava era vital para o funcionamento de seu negócio. Juntamente com suas duas irmãs mais novas, Sophia e Leonie, Marcelline era proprietária de uma boutique chamada Maison Noirot. O negócio ia bem já que as três eram extremamente talentosas, mas a clientela precisava melhorar e subir de status. 
"De fato, as paixões de Marcelline eram sombrias e profundas, como era típico de sua família, de ambos os lados. Como eles, ela era muito boa em esconder os sentimentos. Fora obrigada a ensinar essa habilidade às irmãs. Mas, ao que tudo indicava, já nascera pronta."
A boutique precisava ganhar notoriedade. Sendo a mais velha, Marcelline era responsável pelas irmãs e por sua filha Lucie, por isso sua motivação pelo crescimento da Maison era incomparável. Como a engenhosidade estava no sangue da família, Marcelline arma um plano para conquistar a moça que traria todas as nobres à Maison: lady Clara Fairfax, filha do duque de Longmore e futura duquesa.
"Ela seguiu em frente, a respiração acelerada, os sentimentos à beira da explosão. Seu autocontrole era admirável, até mesmo para o seu tipo de pessoa, mas ela permitiria que ele a provocasse. Tudo o que Marcelline queria era vestir a futura esposa do duque, mas, de alguma maneira, ela fora arrastada para o jogo errado. Agora, imaginava se havia atrapalhado tudo, se ele a arrastara para a lama com seus sorrisos lindos e falsamente inocentes e os dedos roçando sua pele."
Lady Clara estava "prometida" em casamento ao duque de Clevedon desde que ambos eram crianças. Como as famílias eram próximas, o compromisso já era esperado e planejado por toda a sociedade. Porém, o tempo foi passando e nada de noivado. Toda a família Fairfax estava impaciente com a demora do duque ao retornar para casa e fazer o pedido. Ao ser pressionado o duque planeja deixar Paris, onde estava morando, e voltar para a Inglaterra. Mas antes de ir ele queria aproveitar bem a última semana de liberdade.

Ao olhar para Marcelline, Clevedon tem certeza de que nunca vira mulher mais bonita. Assim que o intervalo da ópera toca, ele sai á caça. E por jogar esse jogo a muito tempo, acredita fielmente que conseguirá seduzi-la. Seu choque vem ao perceber que Marcelline não era facilmente seduzida ou domada, e que reconhecia nela o instinto predador que via em si. Tardiamente, ele descobre que ela não estava em busca de um caso tórrido, mas sim de conquistar Lady Clara e toda a nobreza de Londres e Paris com seus modelos exclusivos.
"     E tudo ficaria perfeito. Ela não pouparia esforços, de um jeito ou de outro.
     Esperando por ela estava a oportunidade única na vida; roubar a futura duquesa de Clevedon da Trapos. Clevedon havia complicado algo que era para ser um negócio simples. Sozinha, entrar na festa teria exigido apenas uma boa camuflagem, manobras evasivas e, é claro, autoconfiança. Mas tudo bem. A vida sempre encontrava um jeito de atrapalhar seus cuidadosos planos, várias e várias vezes. Não era de admirar que Marcelline fosse tão boa nesse jogo.
     A vida não era uma roda que girava sem parar. Nunca voltava ao mesmo ponto. Não se limitava a um simples vermelho e preto e um leque de números. A vida ria da lógica.
     Sob o manto de ordem imposta pelo homem, a vida era uma total anarquia.
   Mesmo assim, toda vez que ela atrapalhava seus planos, Marcelline fazia outros e recuperava alguma coisa. Algumas vezes, até triunfava. Sua grande característica era a resiliência.
    Independente do que acontecesse naquela noite, ela tiraria o maior proveito possível."
Meio revoltado e extasiado, Clevedon acaba levando Clara a Maison Noirot. Aparentemente, Marcelline conseguira o que queria. Através da futura noiva, ela aumentaria seu negócio e sustentaria sua família. Clevedon também deveria estar satisfeito, afinal voltara para Londres e estava pronto para se casar com Clara, seu amor desde a infância. Então porquê nenhum dos dois estavam realmente satisfeitos? O que faltava? 
"   Mais do que vê-lo, ela o sentiu mover-se, mas foi um movimento tão rápido e leve que a pegou de surpresa. Num segundo, ele estava se inclinando na direção da janela da porta. No segundo seguinte, as mãos dele estavam sob os seus braços, levantando-a, com a mesma facilidade com que levantaria uma caixa de chapéus, e sentando-a em seu colo.
    Por um instante, ela ficou assustada demais para reagir. Mas foi um momento breve, um piscar de olhos. Quando começou a empurrá-lo para afastar-se, ele levantou uma das mãos e colocou-a atrás da cabeça dela, trazendo seu rosto para perto do dele.
   - Por falar em negócios, algo que a senhora faz sem parar, nós temos um inacabado para resolver - disse o duque, com a voz baixa e sombria. - Um negócio que não terminou, madame. Que nem sequer começou."
Ambos desejavam se entregar ao desejo que sentiam um pelo outro, mas havia muito em jogo e os riscos eram altos. Segredos do passado estavam ameaçando virem á tona, o que poderia destruir a vida e reputação de muitas pessoas. Para complicar, as irmãs Noirot descobrem que a Maison está sendo sabotada. Como resolver todos esses conflitos e resistir á tentação? 
"Marcelline tinha certeza de que ele não desistiria do desafio. Era orgulhoso e estava determinado demais a obter o controle - dela, sem dúvida, talvez do mundo."
Eu já conhecia o trabalho da autora e sabia que minha admiração não seria decepcionada. A obra é extremamente cativante, do início ao fim. Qualquer hipótese que o leitor cria em sua mente para o desfecho da trama cai por terra. Com uma pitada de humor insolente e dois personagens fortes, de personalidade dominadora, a história encanta e faz suspirar. Um romance leve, um mistério sedutor e uma comédia diferenciada criam uma obra brilhante.
      "-Eu não o quero - mentiu. - Quero a sua duq...
     A boca de Clevedon não a deixou terminar.
Era uma boca ardente, firme e determinada. Séculos antes, os ancestrais dele tomavam o que queriam: terras, riquezas, mulheres. Se diziam "é meu", era mesmo. A boca de Clevedon tomou a dela da mesma maneira, a investida de um beijo com um único objetivo, insistente, potente."
Incrível como a natureza das pessoas influencia nas relações estabelecidas, não é? Tanto Marcelline quanto Clevedon são líderes. Não se permitem serem domados. E quando um tenta dominar o outro, o caos se instaura. Eles eram jogadores, predadores. Acostumados a manipular e dominar.  Engraçado é o fato de muitas pessoas dizerem que, para uma relação dar certo, é preciso encontrar alguém parecido com você. Ao ler esse livro, quem algum dia proferiu essas palavras pensará duas vezes antes de repeti-las.
" Aquele beijo não fora a jogada mais inteligente, mas qual seria a alternativa? Dar-lhe um tapa? Clichê. Dar-lhe um soco? Naquele corpo musculoso? Naquele queixo obstinado? Ela apenas machucaria a própria mão e o faria gargalhar."
A autora sabe criar uma história rica em surpresas, personagens encantadores e enredo mágico. O tempo inteiro fiquei imaginando e visualizando como seriam os personagens, o cenário onde viviam, suas reações. Me encantei tanto com eles, tão reais e autênticos, que quando algo não saia como planejado para eles eu ficava extremamente brava. A sensação para o leitor é de estar ali, vivendo junto com eles cada uma de suas emoções ou sentimentos. Uma obra vívida. Editora continua com o posto de melhor do mundo, revisão e capa maravilhosas.

Ao parar para entender o que cada um passava, pude compreender melhor como a vida é complexa. Como é difícil se ver entre desejo e obrigação. Escolher entre ser feliz ou fazer outros felizes. Atender as expectativas alheias ou fazer aquilo que realmente quer.  Não são escolhas fáceis, e a obra nos mostra que na hora de pesarmos os prós e contras, o que importa é o amor. Que podemos contar com o amor para fazer essas escolhas. Que podemos confessar ao outro tudo que somos; nossos segredos e verdades. Que o amor vence tudo. Que o amor é simples; não exige muita coisa de nós nem do outro. E que "o amor, o amor completo é quando você quer o outro sempre perto." 


Clique aqui e leia um trecho do livro, disponibilizado no site da Arqueiro.


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