Resenhas

quarta-feira, 13 de maio de 2015

[RESENHA] "CURE MEU CORAÇÃO", DE MELISSA WALKER

Nome: Cure Meu Coração
Autora: Melissa Walker
Editora: Farol Literário
Onde comprar: Buscapé

Livro enviado como cortesia pela Farol Literário
Clem é uma adolescente de 16 anos que normalmente não estaria feliz em passar as férias de verão com a família a bordo de um veleiro. Mas, para se manter longe da confusão em que sua vida se transformou, ela prefere aceitar o fato de que, pelos próximos 3 meses, suas prováveis companhias serão apenas seus pais e sua irmã caçula.

Em terra firme ela deixa Amanda, sua melhor amiga, de coração partido, rompendo um laço de amizade construído desde a infância. A bordo, tem de lidar com as consequências de suas escolhas e com o sentimento de culpa que a acompanha.

Em crise consigo mesma, ela embarca a bordo do Tudo é possível sem saber que na verdade o que a espera é uma viagem de descobertas sobre a amizade, o amor e o perdão.

Seja bem-vindo a bordo!

Em “Cure Meu Coração” conhecemos Clementina, uma jovem que está com o coração despedaçado e prestes a sair para velejar com sua família durante o período das férias escolares. O motivo da tristeza da personagem é que ela teve um ano de sentimentos tumultuosos e se envolveu em uma situação complicada, que acabou magoando sua melhor amiga, Amanda.

Desanimada e com um péssimo humor, a última coisa que Clem queria era passar os dias presa dentro de um barco com seus pais e a irmã mais nova. E a última coisa que ela esperava era que algo bom pudesse acontecer, afinal em seus pensamentos ela era uma péssima pessoa e fez algo terrível, sendo assim não merecia bons momentos em suas férias.

As perspectivas da protagonista começam a mudar quando ela conhece James, um garoto de sua idade que está velejando com o pai, fazendo a mesma rota de navegação que a família de Clem. Como ele está sempre sorrindo e de muito bom humor, Clementina logo assume que o cara não tem problemas em sua vida. No entanto, não demora e ela descobre como está enganada e aprende com James a importância de aproveitar os preciosos momentos em família, à medida que para de se torturar por seus erros.

Eu tive meus momentos de amor e ódio com a personagem principal. Na confusão em que Clementina se envolveu é compreensível que ela esteja deprimida, mas não é motivo para ela tratar mal sua família, que nada tem haver com seus problemas – aliás, eles mal sabem da história completa.
"Depois de comer, vou para a minha cabine e volto a ser uma mal-humorada solitária. É difícil ser antissocial em um barco de 42 pés, mas estou me saindo muito bem até agora."
A narrativa é em primeira pessoa e intercala entre o presente e o passado, uma vez que durante a viagem Clem revive as memórias do ano inteiro. Apesar do que ela aprontou, eu não consegui julgá-la, ainda mais quando ficou bem claro que ela tentou resolver tudo pelo bem de sua amizade com Amanda – e eu também achei que ela foi um pouco enganada/iludida pelo caráter de outro personagem.

Por falar em Amanda, ela e o resto do círculo de amigos de Clementina mereciam uns tapas. Todos eles viraram as costas para Clem em um momento difícil, sem ao menos ouvir o seu lado da história e o pior, escolheram acreditar em alguém que conheceram há pouco tempo.

As memórias de Clementina mostram Amanda como uma amiga perfeita; aquela que está sempre pronta para fazê-la rir, que está sempre planejando fazer compras juntas ou então uma espécie de festa do pijama. No entanto, dizem que você só sabe quem são os verdadeiros amigos nas horas ruins e, quando o problema entre as duas garotas veio à tona, Amanda não deu qualquer chance para Clementina se explicar.
"- Sim, bem, o ensino médio não perdoa quem vive quebrando regras sociais. Acredite, meus ex-amigos deixaram isso bem claro.
- Bom, talvez isso diga mais sobre seus amigos do que sobre você."
Se você não pode contar com os “amigos”, é quase certo de que pode contar com a família e a de Clem é maravilhosa. Eles são bem unidos e fazem o possível para levantar o astral da protagonista, mesmo quando ela está sendo uma bitch mal humorada. Em vários momentos os vemos dizerem palavras de conforto, enquanto ensinam a ela que errar é humano e isso não faz dela uma pessoa ruim.
"- Clem, eu sei que tudo parece muito confuso agora. Mas você não precisa se preocupar tanto com isso. O coração muda de ideia, faz parte de ser jovem. Você sabe quem você, e nós sabemos quem você é.
- Não tenho certeza se sei quem eu sou.
[...]
- Você é a irmã mais velha que me faz tranças."
E claro, tem James e toda a sua alegria de viver. Simpático e gentil com todos, ele está passando por um momento difícil – acredito que parece pior quando se é adolescente -, mas não deixa que isso afete sua maneira de ver a vida. James está sempre com um sorriso no rosto e procurando pelas coisas mais belas que o mundo pode fornecer. Ele aproveita os momentos de cada dia de um jeito que se torna inspirador para Clementina.
" “Em seguida, escrevo sobre o dia que passei na doca. Sobre James e como ele me faz rir, e como eu cheguei a querer beijá-lo em um determinado momento. [...] Continuo relembrando o que ele me disse: “Pra você se lembrar do que é real.”

“Foi assim o dia de hoje”, escrevo. “Real”. "
A escrita de Melissa Walker é suave e gostosa de acompanhar, o que fez com que a leitura fluísse perfeitamente em grande parte da história. A adolescência é uma fase difícil, é a transição da infância para a vida adulta e por isso é tão cheia de descobertas, confusões e mudanças. A autora conseguiu transmitir muito bem esses sentimentos de Clementina, o que torna tão fácil para os leitores se identificarem com a personagem.

Quanto ao trabalho da Farol Literário, a editora mais uma vez deu um show com a revisão e diagramação. Não encontrei erros e as letras têm um bom tamanho e espaçamento, que sempre torna a leitura mais agradável. A capa é simplesmente maravilhosa e eu não canso de agradecer a FAROL por não colocar a capa estrangeira, que é horrorosa.
"Às vezes, para enxergar de verdade alguma coisa, é preciso olhar de outra forma."

4 comentários:

  1. Respostas
    1. Então espero que alguém te dê de presente. É uma ótima história. ;)

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  2. Eu acho essa capa muito linda! É uma capa simples e passa uma paz sem tamanho!
    Fui pesquisar a capa original e ainda bem que o Farol mudou né? MUITO MELHOR!
    Gostei da história, achei bem legal a premissa, mas fiquei com medinho de o James ter uma dessas doenças terminais e morrer no final. Espero que não!
    Adorei sua resenha, simples e concisa, revelou o que era mais relevante, parabéns!
    Beijos

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    1. Não canso de repetir, ainda bem que a FAROL mudou a capa porque a original não dá. Eu gostei do final, mas não vou dizer o que acontece com o James para não dar spoiler. XD Fico feliz que tenha gostado da resenha. Xx

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