Resenhas

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

[RESENHA] "LÁGRIMA", DE LAUREN KATE

Nome: Lágrima
Autora: Lauren Kate
Série: Teardrop #1
Editora: Galera Record
Onde comprar: Buscapé
Depois de perder a mãe em um acidente no mar, Eureka acha que nunca mais voltará a sorrir. E a promessa que fez à mãe – a de nunca mais chorar – se torna quase impossível… até conhecer Ander.

Louro, alto e de pele muito branca, o rapaz parece estar em todos os lugares e saber coisas que não deveria sobre Eureka. Inclusive um estranho segredo relacionado às suas lágrimas e aos três artefatos que herdou da mãe: uma carta, uma pedra e um misterioso livro que conta a história de uma menina com o coração partido: Ela chorou tanto que deixou debaixo d´água um continente inteiro.

Logo Eureka vai descobrir que a antiga lenda é mais que uma história, que Ander pode estar dizendo a verdade e que sua vida pode ter um curso mais sombrio do que ela imaginou.

Eu quis ler "Lágrima" antes mesmo de ler a sinopse, pelo simples fato de ser um livro escrito por Lauren Kate. Imagino que muitos saibam que Lauren é a mente por trás da "Saga Fallen". O primeiro volume - "Fallen" - é um livro que eu devorei em uma noite/madrugada e adorei, e talvez por isso eu tenha criado uma grande expectativa em torno de "Lágrima", o que não foi bom. Mas, vamos por partes.

A protagonista Eureka vive um momento difícil em sua vida. Ela e a mãe, Diana, sofreram um acidente de carro causado por uma onda monstruosa e Eureka foi a única a sobreviver. Depressiva, a vida já não parece ter tanto sentido e as coisas que ela costumava e amava fazer agora nada significam.

Para piorar a situação, o convívio em casa não é dos melhores. O pai mudou muito desde que se casou com Rhoda e faz todas as vontades da mulher, que por sua vez faz marcação cerrada em cima de Eureka, inclusive obrigando-a a fazer terapia.
“Se Eureka sequer se deixasse considerar o quanto já estava cansada de culpa, provavelmente ficaria presa na cama. Ela se sentia culpada pela distância que criou do pai, pela onda interminável de pânico que desencadeava na casa ao tomar aqueles comprimidos, pelo Jeep amassado cujo conserto Rhoda insistia em pagar para poder jogar a despesa na cara de Eureka.”
Mas Eureka ainda pode contar com seus amigos. Cat é o tipo de garota extrovertida, uma amigona para todas as horas. Completamente fiel, ela está sempre arrumando um jeito de melhorar o humor da protagonista.

E tem Brooks, o amigo de infância de quem ela só tem ótimas lembranças e o único com quem ela se sente à vontade para falar sobre seus sentimentos conflituosos relacionados aos problemas que apareceram em sua vida desde a morte da mãe. No entanto Brooks tem agido de forma estranha e tudo o que ele faz recentemente parece ter o intuito de magoar Eureka.

“— [...] Você não mostrou interesse em conversar comigo. E com os amigos da escola?

— Cat — disse Eureka automaticamente. — E Brooks. — Ela falava com eles. Se um deles estivesse sentado na poltrona de Landry, a essa altura Eureka estaria até rindo.”
No meio de tantos problemas Eureka conhece Ander, um garoto que cruza seu caminho nos momentos em que ela menos espera. Ander tem segredos e parece saber muito sobre Eureka, o que provavelmente deveria deixá-la assustada, mas ao contrário disso, ela apenas consegue sentir-se atraída por ele.
“O toque de Ander tinha aquela profundidade que sentiu apenas com algumas pessoas na vida. Diana, o pai, Brooks, Cat — Eureka podia contar nos dedos. Era uma profundidade que sugeria um afeto sincero, uma profundidade que beirava o amor.”
E têm ainda as três relíquias que a mãe de Eureka lhe deixou de herança. Um medalhão que não abre, uma pedra misteriosa e um livro que conta a história de uma garota que sofreu uma desilusão amorosa e chorou tanto que inundou um continente inteiro. Eureka não vai medir esforços para desvendar os enigmas que envolvem esses objetos, já que para ela essa é a única forma de se conectar uma última vez com a mãe morta. Mas aos poucos ela descobre como sua missão pode ser perigosa – para ela e aqueles que ela ama – e que tudo isso tem mais em comum com ela do que a própria imagina.

Demorei em terminar o livro simplesmente porque a leitura foi como uma montanha russa para mim. A história encontra seu ritmo em determinado momento, mas depois torna a ficar parada, e então fica intercalando entre momentos em que tudo fluía rapidamente e momentos um pouco tediosos.

A lenda da cidade perdida de Atlântida usada por Lauren é um dos meus temas favoritos, mas aqui não conseguiu me cativar. “Lágrima” é um introdutório para a aventura que começa para valer na sequência – ao menos assim eu espero que seja -, mas ainda sim eu esperava mais ação e uma história mais desenvolvida. É Atlântida minha gente e eu amo essa lenda. Uma história fascinante. Imaginem as possibilidades de aventuras e mistérios que essa mitologia poderia gerar. Bem, talvez gostar tanto do tema abordado também tenha me levado a esperar um pouco demais de “Lágrima” e por isso acabei quebrando a cara.

“— Mas é ficção, né? Atlântida não existiu realmente...

— Segundo o Crítias e o Timeu de Platão, Atlântida foi uma civilização ideal do mundo antigo. Até que...

— Uma garota teve o coração partido e chorou um mar de lágrimas sobre a ilha? —Eureka ergueu uma sobrancelha.”
Outra coisa da qual senti falta foi o romance - que só aparece no final. No meio da história temos o vislumbre de um triângulo amoroso envolvendo Eureka, Brooks e Ander, contudo com Brooks agindo de forma estranha eu não consegui ‘captar’ esse rolo amoroso. É como se essa situação nem aparecesse na narrativa e com Eureka aparentemente se rendendo aos encantos de Ander, eu entendi que ela já decidiu onde seu coração está.

Eureka é determinada, mas eu não diria que é uma personagem forte. Ela está levando a vida como pode – se arrastando, empurrando cada dia com a barriga. Eureka está despedaçada por sua perda e têm pensamentos sombrios que rondam sua cabeça o tempo todo, e o pior é que ninguém percebe isso. Nem mesmo Ander que mostra conhecê-la tão bem. Por exemplo, ele não sabe que ela tem desejos suicidas e não para de dizer que ela corre perigo e que precisa confiar nele, porque ela tem que sobreviver.
“Ou ele era um psicopata ou um salvador, e não havia como ter uma resposta direta de Ander. Ela se lembrou da última coisa que ele lhe disse: Você precisa sobreviver. Como se sua sobrevivência estivesse literalmente em jogo.”
A narrativa em terceira pessoa é boa e detalhada. A capa cheia de brilhos e detalhes é linda e chama a atenção, um excelente trabalho da Galera Record. Sobre a revisão, encontrei alguns erros, mas nada que atrapalhasse a leitura.

Em suma “Lágrima” foi uma decepção devido a grande expectativa que eu criei em torno do livro. Não odiei, mas obviamente não cai de amores, tornou-se apenas mais uma obra lida. Espero pela sequência torcendo por uma boa quantidade de ação e romance, e esperando que a história deslanche de vez agora que tantos segredos foram revelados. Eu recomendo, desde que você não vá com sede ao pote, um péssimo costume que eu tenho.

4 comentários:

  1. Que pena que não gostou do livro Natii :( a leitura para min não foi maravilhosa como foi em Fallen, mas também não esperei muito desse livro porque sabia que podia me decepcionar, mas não nego que assim como você espero que o próximo e ultimo livro tenha mais ação e tenha um desenvolvimento melhor!!

    Xo
    Re.View

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    1. Um péssimo costume meu esperar muito de um livro só porque já li e gostei de outra obra da mesma autora! Um exemplo é "Black Ice", da Becca Fitzpatrick, que nem foi publicado aqui, mas já estou esperando uma história gostosa como a saga "Hush Hush". =/

      O que resta é esperar a sequência e que a história me agrade um pouco mais. Vou sem expectativas!! ;)

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    2. Eu sendo você não esperaria muito de Black ice! Na verdade nem sei se vou ler!! Também espero que a sequência de lágrima seja melhor!!!

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    3. Estou muito curiosa para Black Ice. Adorei a sinopse e a capa norte-americana, mas quando for publicado no Brasil vou ter cuidado para não esperar muita coisa, porém com a Becca dizendo que o protagonista masculino tem um pouco de Patch...

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