Resenhas

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

[RESENHA] "CARTAS DE AMOR AOS MORTOS", DE AVA DELLAIRA

Nome: Cartas de Amor aos Mortos
Autora: Ava Dellaira
Editora: Seguinte
Onde comprar: Buscapé
Tudo começa com uma tarefa para a escola: escrever uma carta para alguém que já morreu. Logo o caderno de Laurel está repleto de mensagens para Kurt Cobain, Janis Joplin, Amy Winehouse, Heath Ledger, Judy Garland, Elizabeth Bishop… apesar de ela jamais entregá-las à professora.


Nessas cartas, ela analisa a história de cada uma dessas personalidades e tenta desvendar os mistérios que envolvem suas mortes. Ao mesmo tempo, conta sobre sua própria vida, como as amizades no novo colégio e seu primeiro amor: um garoto misterioso chamado Sky. Mas Laurel não pode escapar de seu passado. Só quando ela escrever a verdade sobre o que se passou com ela e com a irmã é que poderá aceitar o que aconteceu e perdoar May e a si mesma. E só quando enxergar a irmã como realmente era — encantadora e incrível, mas imperfeita como qualquer um — é que poderá seguir em frente e descobrir seu próprio caminho.

Geralmente eu termino um livro e logo começo a pensar na resenha, mas não desta vez. Eu simplesmente não sei como descrever meus sentimentos em relação a essa obra maravilhosa. Ouvi falar muito bem do livro, vi muitos elogiando-o e por isso tentei não criar muitas expectativas, porque eu tinha medo de me decepcionar, mas agora entendo todo o burburinho criado em torno de "Cartas de Amor aos Mortos".

Laurel acabou de perder a irmã. May era sua companheira, sua heroína e inspiração. Laurel considerava sua irmã mais velha a perfeição em pessoa, mas agora May está morta e Laurel sente-se perdida. A tragédia aconteceu na mesma época em que a protagonista está prestes a entrar para o ensino médio e aproveitando essa oportunidade para evitar as condolências e piedade dos colegas ela decide se mudar para uma nova escola, onde ninguém a conheça ou saiba sobre sua irmã. Quando a professora de inglês propõe aos alunos escrever uma carta para uma pessoa morta, a tarefa acaba tornando-se algo maior para Laurel que, sem amigos e ainda tendo que lidar com o luto e a separação dos pais, encontra nessas cartas uma forma de desabafar sobre seus problemas.
“Querido Kurt Cobain, Hoje, no fim da aula, quando a Sra. Buster pediu para entregarmos as cartas, olhei para o caderno em que tinha escrito a minha e o fechei. Assim que o sinal tocou, recolhi meu material e saí. Tem coisas que não posso contar pra ninguém além das pessoas que já não estão mais aqui.”
O livro inteiro é narrado em forma de cartas que a jovem protagonista escreve para várias personalidades famosas, que já não vivem entre nós, como Kurt Cobain (vocalista do Nirvana), a cantora Amy Winehouse, o ator Heath Ledger, a aviadora Amelia Earhart e muitos outros. Adorei a forma como Laurel conseguia se “comunicar” com essas pessoas, contando não só sobre sua vida, mas também explorando e tentando entender o que se passou na vida daqueles para quem ela estava destinando sua carta.

Ao longo da história acompanhamos Laurel tentar recomeçar sua vida, mas o que me deixou triste foi que ela estava fazendo isso de maneira errada. Laurel está solitária e completamente perdida, ela não consegue entender por que May a deixou. Em certos momentos eu senti como se ela estivesse tentando ser a irmã, e em outros parecia que ela estava tentando viver pela irmã, como “tentando encarnar a alma de May” para que a mesma continuasse sua vida do ponto onde ela foi interrompida.
“Eu podia ser uma nova pessoa. Eu seria May, a corajosa e mágica May. Eu não seria Laurel...”
Como se não bastasse isso ela ainda tem que conviver com a separação dos pais e principalmente, a mágoa de ver a mãe ir embora. A mãe de Laurel não suporta a dor da morte da filha e decide viajar para a Califórnia para espairecer, mas o local é o mesmo que ela e as filhas um dia fizeram planos para visitar. Laurel fica revivendo essas lembranças e acredita que de certa forma sua mãe a culpa pela morte de May. Odiei a mãe de Laurel por fazê-la sentir-se dessa forma e por fugir em um momento tão horrível, e amei o pai da Laurel por não abandoná-la e por estar lá para ela, assim como a tia Amy, que apesar de ser tão rígida e religiosa, só queria o bem da sobrinha.
“Então me lembrei de uma música que meu pai cantava para May e para mim à noite [...] Quando cantava essa música, cada lugar era um mistério que um dia eu descobriria. Aquilo me fazia sentir que o mundo era enorme e maravilhoso, cheio de coisas para explorar. E eu pertencia a esse mundo, com ele, minha mãe e May. E agora minha mãe está mesmo na Califórnia. E May não está em lugar nenhum.”
Eu fico tentando me lembrar de algo do livro que tenha me desagradado, mas nada vem à mente. Eu amei cada personagem cujas personalidades e modo de agir se assemelha a pessoas da vida real. Não há um personagem todo perfeito e certinho, que é exatamente o que os torna maravilhosos e nos permite conectarmos a eles e sentir seus medos, angústias, felicidades, etc.

Natalie e Hannah são as primeiras a fazer amizade com Laurel. Ambas são lindas e atraentes, tentando viver a vida intensamente tendo atitudes um tanto quanto rebeldes, enquanto tentam esquecer e ignorar seus problemas. Kristen e Tristan formam um casal pelo qual é difícil não se afeiçoar, a paixão que sentem um pelo outro é notável, mas um momento importante de suas vidas se aproxima e eles devem tomar uma decisão que influenciará o futuro dos dois. E tem também Sky, o cara por quem Laurel se apaixona. Lindo, rockeiro, fama de quem não entra em relacionamentos sérios e claro, tem seus próprios tormentos para resolver.

Ver Laurel cercada por seus novos amigos e conseguindo a atenção do cara de quem ela estava afim, e ainda sim viver na depressão por May era simplesmente agonizante. Entre amigos ou em uma festa com pessoas populares Laurel não conseguia se desprender do fantasma da irmã e ficava constantemente se perguntando o que May sentiria ou faria. Minha vontade era de mergulhar para dentro do livro e abraçar Laurel, dizer que tudo ficaria bem, mas que antes era necessário abrir as mãos e deixar o passado ir.
“Para mim, talvez o Atlântico tenha sido aprender a falar sobre as coisas, ainda que um pouco por vez. Mas acho que a grande coragem é perceber que, por mais oceanos que eu atravesse, a verdade, simples e boba, vai sempre estar do outro lado. May estava aqui e então se foi. Eu a amava com todo o meu coração, e ela morreu. E nenhuma culpa, raiva ou saudade vai mudar isso. Existe uma nova tristeza agora, quando abro o punho que estava fechado e percebo que não há nada ali. Não sei mais como lidar com isso. Às vezes, estou fazendo algo normal, como ficar parada no beco com meus amigos ou me preparar para dormir, e de repente a saudade surge e quase me derruba.”
Você já se apegou a um personagem de um livro? Ficou o tempo todo torcendo para ele fazer as escolhas certas, ditando o que deveria ser feito ou não, pensando em um rumo diferente para história? Bem, eu já. Sofri e sorri com Laurel, desejei que ela parasse de tentar viver a vida de May e se descobrisse. O momento em que Laurel se encontrou e perdoou a irmã por deixá-la sozinha foi o momento em que ela me fez orgulhosa.

Mesmo com toda a sua magia de fada May não era perfeita, na verdade enquanto estava viva ela parecia estar tão perdida quanto Laurel, mas fingia estar tudo bem e inventava histórias para sua irmãzinha porque ela a amava e queria protegê-la do mundo.

Ver cada um dos personagens crescer no decorrer da história e tomar coragem para enfrentar seus problemas trouxe um alívio enorme, quase como um peso tirado das costas.
“Às vezes, quando falamos, ouvimos o silêncio. Ou apenas ecos. Como gritos vindos de dentro. E isso é muito solitário, só acontece quando não estamos ouvindo de verdade. Significa que ainda não estávamos prontos para ouvir. Porque toda vez que falamos, há uma voz. Existe o mundo que responde.”
Faz uns meses que o livro foi lançado, mas eu me arrependo de não ter lido antes, logo que o mesmo saiu aqui no Brasil. “Cartas de Amor aos Mortos” está, com certeza, entre os melhores livros que li este ano. Acho que esse é um livro que todos deveriam ler, ou pelo menos os amantes da leitura e é isso que eu tenho para dizer: Leia, mas leia com atenção, concentração, dedicação... permita-se sentir cada passagem dessa obra maravilhosa.


~ Enquanto eu fazia essa resenha uma música começou a tocar no meu iPod e eu pensei que ela descreve muito do que Laurel sente, por isso resolvi deixar aqui para vocês. A música “Fake Your Death” pertence ao My Chemical Romance, uma das minhas bandas favoritas e que anunciou o seu fim em 2013. Ela foi incluída no último álbum lançado pela banda junto com grandes hits lançados ao longo dos anos, e foi escolhida justamente para dar um adeus aos fãs. =(

8 comentários:

  1. Eu não me apaixonei pela obra #confessei, mas tem coisas nela que simplesmente eu amei, como a Kristen e Tristan ♥ e não sei se você conhece a série, mas a paixão da Laurel e Sky me lembra muito My So-Called Life, que a personalidade de ambos é muito parecida, até as amizades a certo ponto. Você derrubou meus feelings com My Chemical Romance ;-;

    Beijão
    http://deiumjeito.blogspot.com.br/

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    1. Eu não imaginei que poderia gostar tanto quanto gostei =X Poucos livros despertaram em mim os sentimentos que tive enquanto lia esse livro. O romance de Laurel e Sky é muito gostoso - em certos pontos - mas fiquei feliz por não focar só nisso. A série que você citou não conheço =/
      PS. MCR é vida < 3

      Xx

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  2. Oiee!! Então a premissa do livro é boa e acredito que seria uma ótima leitura, vou adicionar o livro a listas do vou ler hahahah! Sua resenha ficou ótima e nela da para notar o quanto você gostou do livro, ficou parecendo comigo escrevendo sobre o livro que adorei!!

    Xo
    Re.View

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    1. Obrigada Alisson. Esse livro é realmente maravilhoso e não tenho palavras para descrever o quanto gostei. Estou tentando melhorar minhas resenhas e claro, você está entre minhas inspirações com suas resenhas incríveis <3
      Xx

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  3. Eu adoreeei o livro, me apeguei muito aos personagens também. O fato d'ele ter sido escrito em forma de cartas me ajudou por que me deixou mais próxima de tudo... :3 também desejei que ela parasse de tentar viver a vida de May, achava isso um pouco cansativo, mas eu adorei tudo <3
    whoosthatgirrl.blogspot.com

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    1. Esse livro é muito amor <3 Laurel tentando viver a vida de May é uma das piores partes, da uma dor no coração. Realmente por ele ser em forma de cartas o leitor fica mais próximo mesmo, a autora conseguiu transmitir bem os sentimentos da Laurel. Xx

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  4. Não curto muito esse gênero, mas quero ler, vou dar uma chance.

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    1. Super recomendo. Amei cada página e já quero ler de novo, mas vou esperar um pouco pois ainda tenho outros livros na frente. =D

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